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Médico de Família, um generalista apto a resolver a maioria das doenças
17/09/2008

O médico de família, considerado uma realidade do tempo das vovós, continua a existir e contribui para resolver com eficiência a maioria dos problemas de saúde.

Vivemos em um período de superespecialização, em que, para cuidar de cada parte do corpo, visitamos um profissional diferente. Isto parece a melhor opção, mas nem sempre é. “Este modelo de especialização indiscriminada que o Brasil vive hoje, entre outros problemas, eleva muito o custo da medicina tornando-a quase impraticável”, destaca Irineu Yuiti Sato, nefrologista do Grupo São José Saúde e ex-consultor do Programa de Saúde da Família do município de Juquiá, no Vale do Ribeira.
Outro problema gerado pelo modelo de medicina especializada é a impessoalidade, gerada por atendimentos esporádicos ou aqueles realizados em pronto-socorros como urgências, pode reduzir a eficácia do tratamento. Cerca de 85% dos problemas que chegam aos ambulatórios restringem-se a apenas 50 diagnósticos. O médico de família é um especialista na atenção primária à saúde, capaz de cuidar dessas afecções mais comuns. “Num atendimento muito rápido, nem sempre há tempo para estabelecer uma relação com o paciente e escolher o melhor tratamento para ele. Já o médico de família tem uma visão global e entende o contexto social em que o paciente está inserido o que facilita na escolha do melhor tratamento para aquele indivíduo”, afirma Irineu.
Segundo Vitor Maiorino Netto, pediatra do Grupo São José Saúde, responsável pelo atendimento de várias gerações de diversas famílias, quando procuramos um médico de família, ao invés de um especialista que vemos esporadicamente, somos tratados como um todo e não apenas como uma patologia. “O pronto-atendimento deve ser procurado somente em emergências, como casos de acidentes e mal-estares súbitos, mas, na hora de tratar problemas recorrentes, o ideal é que a pessoa procure sempre um mesmo médico que o acompanha, conhece seu histórico e poderá rastrear a doença e suas causas”, afirma.
A dona de casa Maria Izabel Lauriano Malva compartilha da opinião do médico. Ela começou a levar os três filhos ao consultório do dr Vitor quando eles ainda eram pequenos, por indicação de uma amiga. A empatia e a relação de confiança que se estabeleceu entre eles foi tão grande que a filha Izabela, hoje com 30 anos, deu o nome de Vitor ao filho de 4 anos e o leva para que o médico faça o acompanhamento. “Um médico de família nos dá total confiança no tratamento, pois ele conhece todo o histórico e está sempre pronto para nos atender quando precisamos”, destaca Izabel.
“Todos devem ter um médico de confiança que seja o mais generalista possível e o acompanhe sempre, pois isto garante os melhores resultados, evitando dúvidas e interrupções no tratamento“, conclui Irineu.

 
Medicina Familiar no Mundo
A maioria dos países desenvolvidos segue na direção contrária à especialização nos consultórios médicos. Na Inglaterra, que adota o modelo generalista há mais de 40 anos, 51% dos médicos são general practtioners. No Canadá, são 55%. Em Cuba, que possui um eficiente sistema de saúde baseado na medicina de família, eles chegam a 65%. Também adotam o modelo Portugal e Espanha.
No Brasil, a medicina de família foi reconhecida como especialidade pela Associação Médica Brasileira em 2003. Por enquanto, nenhuma faculdade de medicina tem a disciplina na graduação, mas já há 33 residências em todo o Brasil. O Ministério da Saúde também tem se esforçado para formar este tipo de especialista. Ele vai usar a rede de unidades básicas do Sistema Único de Saúde (SUS) para formar médicos da família. Para isso, começou em março a treinar profissionais que atuam como tutores. No segundo semestre, parte dos postos vão oferecer cursos de especialização e, em 2006, programas de residência em saúde da família e atenção básica. Onde obter mais informações sobre medicina familiar: www.sobramfa.com.br - site da Sociedade Brasileira de Médicos da Família